Mais um textão (alô, mãe! alô, pai! alô, Lucas!).
Leia quem tem olhos de ler rs
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Faz um tempão que não apareço e hoje senti saudade. Uma saudade forte de mim mesma. Estava no trabalho e precisei fugir rápido quando pude, pois a angústia de me ter só para mim era inexplicável e sufocante.
Fui conversar com um velho amigo sobre os tempos em que nossas vidas se cruzaram, lá em Minas Gerais. E deu saudade. Saudade das conversas profundas sobre espiritualidade, as desavenças, os desencontros que o dia a dia vai promovendo na rotina da gente. Confesso que uma lágrima caiu bem grossa, aqui, e aquele velho sentimento voltou a me atormentar: o passado que não quero deixar partir porque muito já me fez feliz X o presente que é o avesso do que já fui e já tive, mas que também gosto. Tudo parece difícil demais de conciliar e quanto mais o tempo passa, maior vai ficando o sulco entre um tempo e o outro. E maior a minha dor existencial também! Com isso, eu não sei dizer se algum dia terei algum tipo de paz (existe?)...
As lembranças... Posso falar? Pulem se for muito chato, eu separo por parágrafos:
Lembrança 1: Lembro daqueles dias em que o cheiro do café sendo coado pela minha mãe invadia o meu quarto e me fazia saltar da cama (aqueles dias de férias da faculdade e que eu jurava que dormiria até meio dia), carregando consigo a certeza de que uma cestinha de pão de queijo e pão de sal (ou pão francês, pra quem prefere chamar assim rs) e um pote de requeijão de uma marca regional estariam me aguardando para o desjejum, com meu pai em sua posição habitual servindo-se de seus remédios, mamãe coando o café e terminando de preparar a mesa. E era o momento em que eu aproveitava para destilar todo o meu conhecido mau humor matinal contra o universo, as queixas in-ter-mi-ná-veis sobre a universidade e o curso de Medicina, os meus sonhos de um mundo perfeito e cor de rosa; o momento em que meu pai ouvia tudo com extrema atenção e carinho, dando palpites que alternavam entre o capEtalismo e a concordância com meus aparentes bons argumentos. Minha mãe, é claro, esperava o momento certo para opinar, como boa sagitariana que é (rs) e afim de não perder o brilho de uma opinião bem aproveitada ao ser posta à mesa, esporadicamente concordando com todos e ao mesmo tempo não concordando com ninguém!
Isso se repetia por todas as minhas manhãs durante longo tempo, até que um dia eu vim para Pernambuco, isso acabou e aí é outra história.
Lembrança 2: Também não posso me esquivar de citar o quanto os meus relacionamentos que deram "errado" me fizeram repensar a vida positivamente, hoje, de alguma forma. Yes, baby. Não os que aconteceram com pessoas que me violentaram, física e moralmente, os que me cercearam por algum tempo ou até que me estupraram (o que não vem ao caso). Falo daqueles que resistiram aos desafios da contemporaneidade e que hoje, depois de duras, belas, feias e profundas reflexões, me mostram que aprendi lições sólidas do que é viver a dois. Deram errado porque sim, "porque era pra ser", "porque tinha que dar errado", porque não havia o sentimento necessário para aquela situação se manter intacta e naquele tempo, mas foi algo que serviu por durante algum tempo e certamente fez bem aos envolvidos. Fez e faz, pois ensinou e ensina, já que somos seres com memórias e aprendizados, portanto.
Lembrança 3: Meu sobrinho Lucas nascendo e abrindo os olhinhos pela primeira vez no meu colo. Aquela emoção foi única e só eu sei o que senti, só eu lembro a chuva de lágrima que queria descer pelo meu rosto e a alegria em ver aquele serzinho ali, na minha mão, abrindo os olhinhos pela primeira vez ao colocá-lo sob estimulo forte do Sol. Foi algo fantástico, levarei essa memória para a eternidade! (pausa pra dizer: Lucas, eu te amo!! ).
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| Tem a(filh)ado mais lindo que esse? |
Hoje: Hoje, minhas manhãs não possuem mais o desjejum - não vamos nos ater ao aspecto nutricional do relato, certo? - como também possuo outro companheiro em meu caminho. Moro em outra cidade, outro estado, outra vida. E tudo é MUITO e muito diferente do que sempre foi! Normal, certo? Certo. Mas ainda não é aceitável em minha intimidade, a briga do meu presente com o meu passado é intensa e tem dia que isso me consome! Ainda não superei.
Já tive crises fortes, violentas de depressão, crises que achei que iam acabar comigo... Também já tive crises de "mania", daquelas de gastar uma quantidade enoorme de dinheiro de uma vez e depois não me lembrar o que é que eu tinha feito com tanta grana, enrolando por completo toda a minha vida financeira, posteriormente. Fui diagnosticada com Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), o que hoje acho que foi um grande erro. Eu apenas estava, na época do meu diagnóstico, tentando suprir os meus buracos de uma só vez. Hoje, como toda pessoa com sintomas depressivos, continuo tentando suprir os meus buracos, mas de uma forma menos rude e intensa que antes. A forma como lido com isso eu deixo para depois.
O que eu posso falar de todo esse texto, se é que alguém leu meu enfadonho relato desconexo sobre um monte de saudade que tenho? Nada. Absolutamente nada, pois da mesma forma que não tem sentido escrever sobre a minha vida em curso e usando palavras profundamente sinceras sobre algo que só existe pra mim, também não tem sentido essa coisa que todo mundo faz e chama de "viver". Viver é o eterno relembrar as memórias das coisas boas que tivemos e nunca mais terá retorno ou o presente, que quase sempre está tão distante de tudo isso que sentimos tanta saudade? Ou o futuro, que é um vão no meio de um monte de nada?
Sigo na tentativa (vã?) de conciliar o meu presente tormentoso-feliz-tormentoso-feliz e minhas memórias felizes com minhas perspectivas de futuro ideal, que talvez seja nada mais e nada menos que uma conciliação dessas duas coisas inconciliáveis. Enquanto sigo, uma memória feliz e angustiosa ali, um antidepressivo aqui, um resgate e auto-resgate acolá... E um tanto de amor no meio disso tudo, pra dar uma liga boa, quase tão boa quanto o pão de queijo que a mamãe comprava pra mim lá nos dias em que eu passava férias em Patos de Minas, cansada que só da rotina sem café da manhã dos dias de estudante de Medicina.
Finalizando com amor.
Dispensa legendas (hahaha) <3
Dispensa legendas (hahaha) <3










