domingo, 3 de setembro de 2017

O futuro é o desejo de casar o passado e o presente?

Mais um textão (alô, mãe! alô, pai! alô, Lucas!).
Leia quem tem olhos de ler rs

Faz um tempão que não apareço e hoje senti saudade. Uma saudade forte de mim mesma. Estava no trabalho e precisei fugir rápido quando pude, pois a angústia de me ter só para mim era inexplicável e sufocante.

Fui conversar com um velho amigo sobre os tempos em que nossas vidas se cruzaram, lá em Minas Gerais. E deu saudade. Saudade das conversas profundas sobre espiritualidade, as desavenças, os desencontros que o dia a dia vai promovendo na rotina da gente. Confesso que uma lágrima caiu bem grossa, aqui, e aquele velho sentimento voltou a me atormentar: o passado que não quero deixar partir porque muito já me fez feliz X o presente que é o avesso do que já fui e já tive, mas que também gosto. Tudo parece difícil demais de conciliar e quanto mais o tempo passa, maior vai ficando o sulco entre um tempo e o outro. E maior a minha dor existencial também! Com isso, eu não sei dizer se algum dia terei algum tipo de paz (existe?)...

As lembranças... Posso falar? Pulem se for muito chato, eu separo por parágrafos:
Lembrança 1: Lembro daqueles dias em que o cheiro do café sendo coado pela minha mãe invadia o meu quarto e me fazia saltar da cama (aqueles dias de férias da faculdade e que eu jurava que dormiria até meio dia), carregando consigo a certeza de que uma cestinha de pão de queijo e pão de sal (ou pão francês, pra quem prefere chamar assim rs) e um pote de requeijão de uma marca regional estariam me aguardando para o desjejum, com meu pai em sua posição habitual servindo-se de seus remédios, mamãe coando o café e terminando de preparar a mesa. E era o momento em que eu aproveitava para destilar todo o meu conhecido mau humor matinal contra o universo, as queixas in-ter-mi-ná-veis sobre a universidade e o curso de Medicina, os meus sonhos de um mundo perfeito e cor de rosa; o momento em que meu pai ouvia tudo com extrema atenção e carinho, dando palpites que alternavam entre o capEtalismo e a concordância com meus aparentes bons argumentos. Minha mãe, é claro, esperava o momento certo para opinar, como boa sagitariana que é (rs) e afim de não perder o brilho de uma opinião bem aproveitada ao ser posta à mesa, esporadicamente concordando com todos e ao mesmo tempo não concordando com ninguém! 
Isso se repetia por todas as minhas manhãs durante longo tempo, até que um dia eu vim para Pernambuco, isso acabou e aí é outra história.


Lembrança 2: Também não posso me esquivar de citar o quanto os meus relacionamentos que deram "errado" me fizeram repensar a vida positivamente, hoje, de alguma forma. Yes, baby. Não os que aconteceram com pessoas que me violentaram, física e moralmente, os que me cercearam por algum tempo ou até que me estupraram (o que não vem ao caso). Falo daqueles que resistiram aos desafios da contemporaneidade e que hoje, depois de duras, belas, feias e profundas reflexões, me mostram que aprendi lições sólidas do que é viver a dois. Deram errado porque sim, "porque era pra ser", "porque tinha que dar errado", porque não havia o sentimento necessário para aquela situação se manter intacta e naquele tempo, mas foi algo que serviu por durante algum tempo e certamente fez bem aos envolvidos. Fez e faz, pois ensinou e ensina, já que somos seres com memórias e aprendizados, portanto.

Lembrança 3: Meu sobrinho Lucas nascendo e abrindo os olhinhos pela primeira vez no meu colo. Aquela emoção foi única e só eu sei o que senti, só eu lembro a chuva de lágrima que queria descer pelo meu rosto e a alegria em ver aquele serzinho ali, na minha mão, abrindo os olhinhos pela primeira vez ao colocá-lo sob estimulo forte do Sol. Foi algo fantástico, levarei essa memória para a eternidade! (pausa pra dizer: Lucas, eu te amo!! ).

Tem a(filh)ado mais lindo que esse? 




Hoje: Hoje, minhas manhãs não possuem mais o desjejum - não vamos nos ater ao aspecto nutricional do relato, certo? - como também possuo outro companheiro em meu caminho. Moro em outra cidade, outro estado, outra vida. E tudo é MUITO e muito diferente do que sempre foi! Normal, certo? Certo. Mas ainda não é aceitável em minha intimidade, a briga do meu presente com o meu passado é intensa e tem dia que isso me consome! Ainda não superei.

Já tive crises fortes, violentas de depressão, crises que achei que iam acabar comigo... Também já tive crises de "mania", daquelas de gastar uma quantidade enoorme de dinheiro de uma vez e depois não me lembrar o que é que eu tinha feito com tanta grana, enrolando por completo toda a minha vida financeira, posteriormente. Fui diagnosticada com Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), o que hoje acho que foi um grande erro. Eu apenas estava, na época do meu diagnóstico, tentando suprir os meus buracos de uma só vez. Hoje, como toda pessoa com sintomas depressivos, continuo tentando suprir os meus buracos, mas de uma forma menos rude e intensa que antes. A forma como lido com isso eu deixo para depois.

O que eu posso falar de todo esse texto, se é que alguém leu meu  enfadonho relato desconexo sobre um monte de saudade que tenho? Nada. Absolutamente nada, pois da mesma forma que não tem sentido escrever sobre a minha vida em curso e usando palavras profundamente sinceras sobre algo que só existe pra mim, também não tem sentido essa coisa que todo mundo faz e chama de "viver". Viver é o eterno relembrar as memórias das coisas boas que tivemos e nunca mais terá retorno ou o presente, que quase sempre está tão distante de tudo isso que sentimos tanta saudade? Ou o futuro, que é um vão no meio de um monte de nada?

Sigo na tentativa (vã?) de conciliar o meu presente tormentoso-feliz-tormentoso-feliz e minhas memórias felizes com minhas perspectivas de futuro ideal, que talvez seja nada mais e nada menos que uma conciliação dessas duas coisas inconciliáveis. Enquanto sigo, uma memória feliz e angustiosa ali, um antidepressivo aqui, um resgate e auto-resgate acolá... E um tanto de amor no meio disso tudo, pra dar uma liga boa, quase tão boa quanto o pão de queijo que a mamãe comprava pra mim lá nos dias em que eu passava férias em Patos de Minas, cansada que só da rotina sem café da manhã dos dias de estudante de Medicina.

Finalizando com amor.
Dispensa legendas (hahaha) <3 

sábado, 1 de abril de 2017

E essa sensação horrível de que tudo está muito errado?

   Rafaela*, sempre tão tranquila e de dizeres quase sempre dotados de sabedoria, naquele dia possuía um olhar triste e um jeito confuso de se portar frente a imensidão de seus turbulentos pensamentos. Entrou no consultório oscilando entre lágrimas e uma urgência talhada que intentasse dizer o máximo de palavras possíveis em um mínimo espaço de tempo, esquecendo que eu estava ali para ouvi-la até o pôr do Sol, se preciso fosse. E Rafaela falou. Falou. Falou até não ter mais voz. Falou até ser preciso pará-la e oferecer-lhe um copo d'água.
   As chagas que alguns de seus relacionamentos fracassados deixavam, as aspirações profissionais frustradas, o receio de ter falhado magnanimamente no maior empreendimento que julgava ter feito até então. Rafa era a representação viva da dor, da angústia, da culpa... Do medo que ficar bem trazia. Observamos, juntas, que o seu tratamento médico estava incompleto e que, isoladamente, as medicações não funcionavam para tudo. Era preciso algo que lhe preenchesse o vazio que ela mesma relatava na maioria de suas expressões. Os sintomas do transtorno psiquiátrico de base estavam controlados, mas aquele grito ali, daquela mulher chamada Rafaela, era de alma, nada tinha de doente, e isso eu ouvia bem. 
   Saberia oferecer algumas sugestões para ajudar a aliviar aquele drama íntimo, mas como posso sugerir algo que está limitado pela minha ótica? Como posso sugerir algo que passa, apenas, pelo meu crivo, minha experiência, minha vivência, minha razão? Não me sentia confortável em ser tão invasiva e optei por fazer perguntas. Perguntei quais as sugestões que ela daria a mim se estivéssemos em papéis diferentes. E como descobri o quão semelhante somos!
   Falamos de filmes, de atividades prazerosas, de coisas engraçadas do dia a dia, numa tentativa mútua de enxergar algo além de toda aquela tensão.
   Falamos sobre razões para viver.
   E razões para desistir.
   A consulta não teve um fim e concluímos que isso não se dá nem mesmo com a morte, pois o conflito, o duelo, a vivência socialmente vista como clichê é algo que só o tempo e a vida consegue possibilitar o encontro das respectivas respostas - caso existam. O tempo e a vida, não a morte.
   Não sei quais benefícios eu levei para a vida de Rafaela, não a verei nos próximos dias para avaliar se o nosso diálogo teve algum efeito. Sei, apenas, que os benefícios que ela trouxe para a minha vida são memoráveis e não há um só momento do dia que isso passe despercebido. Não me esqueço daquela imensa capacidade de resistir à "força negativa" (expressão usada por ela mesma) e valendo-se da coragem, fé e perseverança que está ali, presente e por baixo de cada dorzinha que foi exposta. Da vontade de melhorar seus mínimos atos diários para alcançar um dia menos esvaziado de sentido.    A presença mental de Rafaela me serve como uma ferramenta de auto-ajuda, uma vez que nos encontramos em buscas muito semelhantes: superar essa sensação horrível de que tudo o que fazemos está muito errado, que o fracasso nos acompanha e que o desastre é certo. Não, isso é um erro!  E aquela luzinha atrás daquela dorzinha assegura isso muito bem... Aquela vozinha fraca que nos diz o quanto somos fortes, bonitas e capazes é a âncora que nos falta para segurar firme e nos tirar desse afogamento diário a que nos submetemos e nesse lamaçal de dificuldades sentimentais.

   Obrigada, Rafaela. Essa luta é contínua e é nossa.





* Nome fictício.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Mãe, mainha, pai, tios... Me desculpem?

Um pedido de desculpas para a minha família:

Acredito ser um imenso desgosto para alguns de vocês e peço perdão. PERDÃO.
Me formei em Medicina e larguei a chance de ser bem sucedida em MG, onde nasci e painho tem muitos amigos na área da Saúde, para ser uma médica sem muitos recursos, completamente desconhecida e cheia de problemas no nordeste brasileiro; ter dificuldades que JAMAIS teria se ficasse perto de casa e da família.
Bom... Vocês continuam torcendo por mim porque acredito que me amam, mas se eu algum dia perguntar "o que acham que devo fazer?", a primeira resposta será "volte para casa". E é por isso que nunca me ouviram fazer interrogações, apenas compartilhar fatos.
Aqueles que são mais conectados com a medicina glamourosa, certamente, hoje, possuem grande tristeza por eu escolher os caminhos que escolho, ainda que omita a maioria deles por imenso respeito ao sofrimento que devo causar por ser "assim".
Por essa poucas palavras, peço:
Me desculpem por eu não voltar pra MG agora e mesmo levando bastante chinelada aqui, chorando calada e só pedindo socorro quando o cinto aperta; sofrendo mais que sorrindo, mas ainda assim querendo ficar.
Me desculpem por eu não escolher o caminho mais fácil,
Me desculpem por eu não escolher ficar pertinho de vocês, que eu AMO TANTO (oxe, será que está chovendo só sobre o meu rosto ou é impressão minha?),
Me desculpem por eu não escolher algumas áreas da Medicina que, com toda a certeza do mundo, compensariam financeiramente a penúria que, juntos, já passamos para que eu me formasse.
Me desculpem... Por favor, me desculpem!
Não prometo mais que "vocês ainda terão muito orgulho de mim!", como dizia, pois isso é mentira. Levarei dor de cabeça, preocupação, frustração. Não por querer o mal de vocês - e quando falo isso, me refiro especificamente às mainhas e painho - mas por saber que essa distância lhes incomoda e faz sofrer. Mas sinto que é aqui onde estou, em Pernambuco, que tenho "um chamado". É aqui que eu vim buscar alguma coisa, talvez o meu anel que PARECE mas não é o Anel de Sauron, já que meu anel é de amor rs.

Eu amo vocês e estou corroída pela IMENSA saudade que sinto!
Da sempre Janinha.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Um pouco da minha busca e como seria legal valorizar a minha LUTA.

(eu aposto que essa história não é só minha - tirando os detalhes).


Não é novidade o quanto já me mutilei - mentalmente - por não ter êxito nas tarefas que desempenhava, mesmo tendo todas as oportunidades possíveis nas mãos. Enquanto graduanda em um dos cursos mais difíceis do Brasil, sofria inúmeros embates a cada semestre, ora com colegas, ora com professores. Também tinha aqueles embates invisíveis, mas que me consumiam com o mesmo peso. 
Paralelamente, existia sempre aquela voz que gritava ao ponto de fazer vibrar o peito, dizendo "vá! Força! Você precisa se salvar! Você precisa resgatar muita gente que precisa de ti! Vai dar certo.... segue.... força.... segue..."

- Já fui agredida verbalmente por colegas e professores.
- Já chamei a polícia para dentro do campus (posso garantir: a diretora, à época, AMOU hahaha)
- Já fui estuprada por um colega que achava que era meu amigo.
- Já fui abusada psicologicamente e fisicamente pelo meu ex psicólogo (dura experiência, quem sabe um dia a gente não fala disso?)
- Já iniciei uma guerra violenta  não verbal com um professor, não passando na matéria dele e sendo preciso repeti-la. Na repetição da matéria, com um outro professor (o demônio é onipresente rs) a guerra não verbal foi ainda pior, pois eu já estava com a minha saúde mental bastante debilitada. Nesse caso, o Assédio Moral era claro e evidente!
Também não passei na disciplina. 
Mas formei, meses e mais meses depois (ufa! rs). Virei médica... AAAÊÊÊÊÊ 





Nascida e crescida em Minas Gerais, casa montada, emprego arranjado em 2 lugares, família feliz por ter a primeira filha a concluir uma graduação - ainda mais em Medicina - amigos e amigas pertinho de mim... Tudo sobre "estabilidade" ali, vivo e radiante. Tudo o que muita gente sonhava em ter. Era só ir lá registrar o CRM e estaria tudo certo, loguinho eu seria uma dotôra arretada (e rica, segundo meu pai rsrs), certo? 
Certo nada, pois de repente... puuufff!! 

Amanheci em Recife - Pernambuco e para trabalhar em Olinda. Quase literalmente dessa forma. Decidi que viria, larguei tudo pra lá, peguei a minha gatinha branca que se chama Lara e é o AMOR da minha vida, uma mala com algumas mudas de roupa, um dinheiro emprestado com meu tio e pronto.



Não conhecia um inseto por aqui, apenas a referência virtual de 03 pessoas que eu procuraria quando chegasse - e que acabou sendo meus anjos de guarda
(eis: Ruy, Diana e Alexandre, sendo que o último, posteriormente, me seduziu e acabou por se envolver amorosamente comigo, sob a brisa fresca do Recife Antigo e no Bar do Haroldo, com direito a amanhecer o dia na praia de Boa Viagem rs).

Um comentário importante e que permeia o universo de minhas reflexões que se seguem: se o diabo realmente amassa pães, eu comi um desses aí. Comi e em alguns dias eu como de novo no café da manhã, que é pra não perder o hábito de começar o dia já no grau!

Penso todos os dias no que fiz e se valeu a pena. Penso se valeu a pena largar a "estabilidade" que eu tinha para construir a "estabilidade" que eu quero num lugar que eu continuo não conhecendo muitas pessoas. Penso todos os dias que raios de  "estabilidade" é essa que tanto falo!

Fiz alguns contatos aqui que valem mais que ouro, também tive brigas que nunca tive antes. Mas o que mais toca... Mermã/mermão... A CONSCIÊNCIA que adquiri aqui sobre o que me ocorreu nos últimos tempos, durante toda a minha vida e sobre o quão doente eu estava foi de assustar. É de assustar.
Hoje, encaro a obscuridade de um diagnóstico que ainda julgo pesado, mas que a cada dia vem fazendo mais sentido. Faz sentido, explica, acalma, tira aquele peso HORRÍVEL de você achar que aquele comportamento ruim é "seu" porque você não é "forte" o suficiente para evitar. Reconhecer que tenho uma doença de ordem mental, diagnosticada por uma médica competentíssima, tem as suas  conotações muito intensas: me mostra que eu posso ser saudável se cuidar, que ter doença de ordem mental não é vergonhoso, que apenas rezar não passa, ir em centro espírita não cura e que tem coisas que assumir é a melhor caridade a se fazer por si mesma. 
Conviver com pessoas que menosprezam essas doenças e fazem brincadeiras jocosas de outras pessoas, só me faz ter piedade, pois elas nada sabem do que estão falando.  
Reconhecer a existência de uma doença que a sociedade estigmatiza demais te torna, apenas, mais humana. Tão humana quanto aquela mulher Z que eu atendo no consultório e que sente sempre o quão perturbador é ter X sintomas e reações que nunca foram olhadas com atenção por puro preconceito, tanto dos familiares/dela mesma, quanto d?s médic?s. Um pouco a mais de atenção e um pouco menos de preconceito e ela, provavelmente, estaria bem, feliz e produtiva.

Não tenho QUAISQUER conclusão sobre uma só palava ou frase dita. Mas me arvoro no consolo de que a Medicina está aí, me ajudando e me ensinando a ajudar...
 E que se eu larguei a "estabilidade" que tinha, é por reconhecer uma frase que tenho vontade de tatuar na testa, dita por meu meu amado amigo Luiz, do RJ: "se quiser segurança, tem que clinicar longe do povo". E eu não quero clinicar longe de quem realmente precisa de mim, da médica e mulher humana incrível que eu sou e ainda não descobri.


Como gosto sempre de finalizar: AVANTE!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Somos difíceis de sermos amadas?

Hum... Será?  

Ooops.. Spoiler rs

Não existe uma só mulher que não tenha ouvido, de seus namorados/ex-namorados (e até familiares), o quanto são difíceis de serem amadas, sendo essa conclusão feita via discursos diretos ou mascarados.
Concordo que algumas de nós somos, mesmo, difíceis de sermos amadas, pois mal sabemos nos amar, entender que "buraco" é esse que "fala" em todos os momentos que eles estão certos. 

Somos difíceis de sermos amadas, também, quando começamos a ter alguma consciência do quanto somos valiosas, que somos capazes de sobrevivermos ao caos (independente de qual natureza ele for) e conduzir a própria vida conforme a nossa regra íntima. O melhor: conduzir a vida com um monte de erro permeando nossas decisões diárias, mas certamente com muita consciência de que a vontade de acertar - e o evidente acerto - é maior. 

A nossa educação social patriarcalista não ensinou nossos parceiros/ex-parceiros/etc a lidar com esse segundo perfil de mulher que citei. É mais fácil, então, falar que somos difíceis e tornar-nos um objeto de cunho pejorativo. É mais fácil dizer: "eu tentei, olha o quanto fiz... mas você [por ser tão difícil] me fez chegar a esse fim trágico". Mais fácil abandonar e negar.

Para inspirar a nossa conversa e finalizar sem um parágrafo conclusivo -  porque essa temática não possui conclusão - uma música da incrível Clara Nunes, a música "Guerreira" :


Sigamos com firmeza e certeza: somos mesmo difíceis de sermos amadas, mas por ELES. E existe um amor melhor que esse, que é o auto- amor.
Vamos conseguir!
Avante!



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Sobre a ENORME vontade de vivenciar a superação.

Essa é a minha primeira postagem da quase madrugada, onde digo o quanto as marcas deixadas pela graduação em Medicina, as minhas vivências negativas em familia/ relações afetivas foram profundas, o quanto fizeram sangrar o meu psicológico ao ponto de me deixar sem força para levantar.
Sangrei, sangrei muito.
Chorei, chorei muito.
Perdi o domínio das minhas funções mentais básicas, como decidir a roupa que escolher antes de ir para o estágio obrigatório e SE conseguia ir sem inventar desculpas feiosas.
Passei por vários psiquiatras e para tentar dominar essa incapacidade que ia tomando corpo a cada nascer do Sol, mas por dificuldades empáticas, não segui nenhum tratamento de forma correta. Nessas horas, ter o diploma de médica não muda muita coisa, somos todos pacientes. Hoje, enfim, encontrei uma médica em que me senti acolhida e em quem eu possa confiar, embora o diagnóstico que ela tenha me dado me soe pesado demais, em alguns momentos do dia.

Sinto, por parte de alguns de meus familiares mais próximos, um desprezo sutil com relação aos diagnósticos médicos de ordem mental, uma recusa a me ouvir falar disso com tanta frequência e como se isso fosse "abraçar" o problema, aceitar, não lutar, ser conivente, etc. Sinto isso sair dos lindos olhos de minha amada mãe, ouço que "é chilique" sair dos lábios do meu pai. Não é culpa deles, eu lá sei o que já vivenciaram para formalizar as dificuldades que tem? Mas o que importa é o que eu acho disso, o que importa é a minha verdade, a minha vivência, a minha rotina, a minha essência...  O que importa é tratar os meus sintomas e nunca me cansar de procurar aonde é que tudo isso começou.

E reconhecer tais fatos é, também, empoderar-me de mim mesma, reconhecer essa ascendência parental a qual sou grata, mas que não pode receber o foco de meus pensamentos e que trabalharei em outro momento.

Cada dia que nasce é uma luta para não sucumbir.
Cada dia que nasce é uma chance para vencer aqueles padrões que me aprisionaram até então.
Cada dia que nasce é um novo dia para voltar os olhos para o meu objetivo primário, aquele que um dia já fez o coração pulsar de alegria e que pode até não ressoar na alma mais, mas a lembrança afetiva ainda é suficientemente forte para não me deixar desistir.
Não estou sozinha, há muitas "Janinhas" por aí, sonhando acolhimento.
Até breve.