quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Sobre a ENORME vontade de vivenciar a superação.

Essa é a minha primeira postagem da quase madrugada, onde digo o quanto as marcas deixadas pela graduação em Medicina, as minhas vivências negativas em familia/ relações afetivas foram profundas, o quanto fizeram sangrar o meu psicológico ao ponto de me deixar sem força para levantar.
Sangrei, sangrei muito.
Chorei, chorei muito.
Perdi o domínio das minhas funções mentais básicas, como decidir a roupa que escolher antes de ir para o estágio obrigatório e SE conseguia ir sem inventar desculpas feiosas.
Passei por vários psiquiatras e para tentar dominar essa incapacidade que ia tomando corpo a cada nascer do Sol, mas por dificuldades empáticas, não segui nenhum tratamento de forma correta. Nessas horas, ter o diploma de médica não muda muita coisa, somos todos pacientes. Hoje, enfim, encontrei uma médica em que me senti acolhida e em quem eu possa confiar, embora o diagnóstico que ela tenha me dado me soe pesado demais, em alguns momentos do dia.

Sinto, por parte de alguns de meus familiares mais próximos, um desprezo sutil com relação aos diagnósticos médicos de ordem mental, uma recusa a me ouvir falar disso com tanta frequência e como se isso fosse "abraçar" o problema, aceitar, não lutar, ser conivente, etc. Sinto isso sair dos lindos olhos de minha amada mãe, ouço que "é chilique" sair dos lábios do meu pai. Não é culpa deles, eu lá sei o que já vivenciaram para formalizar as dificuldades que tem? Mas o que importa é o que eu acho disso, o que importa é a minha verdade, a minha vivência, a minha rotina, a minha essência...  O que importa é tratar os meus sintomas e nunca me cansar de procurar aonde é que tudo isso começou.

E reconhecer tais fatos é, também, empoderar-me de mim mesma, reconhecer essa ascendência parental a qual sou grata, mas que não pode receber o foco de meus pensamentos e que trabalharei em outro momento.

Cada dia que nasce é uma luta para não sucumbir.
Cada dia que nasce é uma chance para vencer aqueles padrões que me aprisionaram até então.
Cada dia que nasce é um novo dia para voltar os olhos para o meu objetivo primário, aquele que um dia já fez o coração pulsar de alegria e que pode até não ressoar na alma mais, mas a lembrança afetiva ainda é suficientemente forte para não me deixar desistir.
Não estou sozinha, há muitas "Janinhas" por aí, sonhando acolhimento.
Até breve.

2 comentários:

  1. A caminhada é gradual e as fkorea nascem com o tempo. Poucos médicos saem da relação de autoridade iinfalvel para recordar aua humanidade. Que bom que começou assim! Tenho certeza que partilhará ótimos ensinamentos de uma Medicina mais ampla e humanista neste cantinho ❤

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    1. Ana, fico muito feliz por seu comentário.
      Passei séculos querendo expor o tamanho da minha vontade de ser aquela areinha da praia que fez alguma diferença na vida de outras pequenas areinhas rs. E colocar pra fora ajuda!
      Obrigada pela paciência, msg e leitura.
      Luz a nós!

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